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Tem alguma coisa que você só entendeu sobre os seus pais depois de virar adulto?
Certamente, tem várias. À medida que vou envelhecendo, venho ganhando mais perspectiva sobre a vida. Através da leitura e de experiências próprias, venho adquirindo também um pouco de sabedoria. Tenho ainda algumas experiências de autoconhecimento que me permitiram aprender mais não apenas sobre mim, mas também sobre meus pais e outras pessoas. Não vou dar exemplos específicos, mas hoje, com um novo olhar, consigo entender diversos posicionamentos e decisões que eles tomaram, sempre com uma visão mais abrangente do que eu tinha na época. Assim como eu consigo enxergar a forma como meu próprio passado afetou quem eu sou e como penso hoje, posso entender como o passado deles contribuiu diretamente para a construção deles. Não estou dizendo que concordo com todas as decisões, mesmo hoje. Mas consigo entender que eles estavam tentando o melhor que podiam, dentro do que eles tinham de entendimento e recursos, e que todas as decisões, umas certas, outras questionáveis, nos conduziram a um lugar melhor no fim das contas.
Que característica você recebeu primeiro com desconforto e como "defeito" antes de perceber como qualidade ou força?
Minha introversão. Quando mais jovem, eu tinha essa ideia de que ser introvertido era uma grande desvantagem. Eu acabava me vendo meio como o esquisito da turma ou do grupo. Foram várias as vezes que tentei me tornar mais extrovertido, tentando "consertar" essa característica. Hoje consigo enxergar claramente habilidades que consegui adquirir mais facilmente por ser introvertido, habilidades que alguns amigos extrovertidos gostariam muito de desenvolver, mas não conseguem. Pra mim, sempre foi mais fácil observar, escutar, me concentrar em algo, refletir antes de falar, mergulhar em assuntos complexos e construir pensamento com mais profundidade. Hoje vejo a introversão até como uma ferramenta, uma lâmina silenciosa e precisa ao invés de um martelo barulhento. E é claro que cada perfil se adapta melhor a um tipo de situação, sendo ambos necessários.
O que as pessoas chamam de felicidade que você acha que é outra coisa?
A ideia de que felicidade tem que ser algo maravilhoso em todos ou muitos sentidos, algo perene, duradouro. Coisas como juventude, energia, propósito claro, saúde, dinheiro, relacionamentos perfeitos, viagens... todas podem proporcionar momentos de felicidade, mas idealizar isso (e a permanência disso) como felicidade é ilusão. Os estóicos já sabiam que felicidade era mais sobre balancear expectativas e realidade, encontrando momentos de felicidade apesar das circunstâncias difíceis da vida. Um cara pode estar numa situação ferrada e ainda assim genuinamente feliz vendo a filha dormir no banco de trás do carro depois um dia comum ou até difícil. Outro pode estar num iate na praia pensando em se matar. Outro ainda num leito de morte porém feliz por sentir que teve uma vida plena ou acreditar que a família vai ficar bem. A verdade é que felicidade e infelicidade são subjetivas, completamente pessoais, compartimentalizadas, contraditórias e transitórias. A pessoa feliz vive momentos de infelicidade e vice-versa. Felicidade é uma interpretação.
O que as pessoas superestimam como sinal de que estão com a vida em ordem?
O que aparece na superfície, as aparências. Basicamente, o que as pessoas vêm nas outras, através das redes sociais ou pelo que elas deixam transparecer, e aprendem a usar como régua de auto-avaliação. Medem se a vida está bem em termos das viagens que fazem, do emprego que têm, do cargo que ocupam, dos bens que possuem. Mas essa é uma avaliação rasa e desconectada das necessidades reais de cada um. Pessoalmente, eu gosto de usar a Roda da Vida. Você desenha um círculo, divide em 6 ou 8 fatias, atribui uma área da vida a cada uma (ex. Relacionamento, Saúde, Financeiro, Trabalho, Propósito, e tantos outros que pode escolher), e avalia cada dimensão com uma nota de 1 a 10, em termos de quanto se vê satisfeito com aquele aspecto, independente de quanto tempo ou recursos invista nele. Esse exercício é um convite a examinar mais criticamente cada área da sua vida com foco nas coisas que importam pra você. Deixa de ser uma avaliação de uma vida que parece boa pra uma que funciona. O legal é que essa reflexão também vale pra quando você acha que a vida NÃO está em ordem, baseado nesses mesmos fatores superficiais de aceitação social. As vezes você olha pra sua vida com mais atenção e se dá conta de que está melhor do que pensava, talvez até melhor do que as "referências".
Qual critério você usa ou acha que faz sentido usar para dizer o que é moralmente correto ou incorreto?
O que eu gostaria que todas as pessoas fizessem se estivessem no meu lugar ou eu no lugar delas. Essa ideia vem do Emmanuel Kant, um filósofo alemão. O cara nunca teve filhos, mas fez uma observação interessante sobre a ideia de pais e professores premiarem crianças por "boas" ações, e puní-las por "más" ações. Em seu trabalho, Kant observa que isso é prejudicial, porque programa gradativamente a pessoa pra agir por interesse, sempre avaliando o que tem a ganhar em determinada situação. Infelizmente, logo a gente percebe que quem faz o "certo" (socialmente esperado, politicamente correto, etc.) se dá mal e quem faz o "errado" (dá golpes, tira proveito de situações) se dá bem. Estou super-simplificando a coisa, mas é pra evitar tornar isso aqui muito extenso. Com isso, uma pessoa programada para agir em troca de recompensas pode começar a fazer concessões, maiores ou menores, dependendo do que está em jogo e de "qual é o prêmio". A solução proposta é agir "apenas segundo uma máxima que você possa querer que se torne lei universal". Exemplo: mentir para obter vantagem. A pergunta seria: "Eu gostaria de viver num mundo em que todos mentem quando isso lhes traz vantagem?" Não, porque nesse cenário a confiança vai pro espaço. Até a própria mentira deixa de funcionar, pois isso levaria a um mundo onde ninguém acredita em ninguém. Dessa forma, moralmente correto é aquilo que eu poderia defender e querer que se tornasse uma regra universal, mesmo sem saber qual posição eu ocuparia na situação, se eu seria o beneficiado ou prejudicado, rico ou pobre, professor ou aluno, forte ou fraco. E é moralmente incorreto se só parece aceitável porque eu estou do lado que se beneficia dela.
O que as pessoas raramente admitem que influencia mais as escolhas delas do que gostariam?
Como elas são percebidas pelos outros em relação ao que fazem, como fazem, e o que conquistam (em sentido material ou não). O ser humano é um bicho social, e a percepção social é um dos pilares pra que a socialização aconteça. Então, no meu ponto de vista, mesmo uma pessoa com forte autoestima e relativa baixa necessidade de validação externa ainda terá suas decisões largamente influenciadas pela forma como ela espera ser percebida por um determinado círculo social. Por fim, eu acho que esse é um fator que raramente será admitido. Na minha experiência, as pessoas vão negar e dizer que não influencia em nada, ou muito pouco. Que estão sendo e fazendo porque querem, porque faz sentido pra elas. Mas, lá no fundo... esse é um dos principais motivos (não o único, mas significativo).
O determinismo defende que todas as suas escolhas são resultado da sua genética, criação e experiências passadas, como dominós caindo. Se isso for verdade, você realmente já escolheu alguma coisa na vida?
A pergunta requer pressupor que o determinismo esteja certo ("Se isso for verdade, [...]"). Nesse sentido, a resposta está no próprio enunciado, que diz que "todas as suas escolhas são resultado da sua genética, criação e experiências passadas, como dominós caindo". Se for assim mesmo, então não, nunca escolhi nada na minha vida; fui, na verdade, escolhido pela cadeia de eventos do universo. Não acredito que o determinismo seja verdade. Mas ainda que ele seja, faz mais sentido viver a vida acreditando que ele seja falso, pois se o determinismo for verdadeiro, então todas as nossas noções de mérito, culpa, justiça, etc., caem por terra e não servem de nada. Eu acredito que sim, a genética, criação e experiências passadas têm uma enorme influência nas minhas escolhas, mas no final ainda existe uma escolha em tudo. Primeiro que o determinismo e o não-determinismo não podem ser provados, sendo assuntos de uma discussão puramente filosófica, sem qualquer efeito prático. Segundo que, ao acreditar que eu tenho escolha, e que até mesmo deixar de escolher é uma escolha, eu dou real sentido à vida e começo a movimentar projetos, criar coisas, buscar e alcançar objetivos, etc.
Se você tivesse que recomendar uma obra para alguém entender o Brasil, qual seria?
Pergunta extremamente interessante, e estou interessado na resposta de quem souber responder melhor. Há um tempo, usei o ChatGPT pra ver se ele me explicava o jeito de ser do Brasil em comparação ao Canadá, com enfoque na situação de corrupção, pobreza, injustiça e violência, a partir de fatos históricos. É claro que o Brasil não se resume a isso e tem muita coisa boa, mas estes são certamente traços marcantes do nosso país. Posto abaixo o que ele me disse. --- # Why Brazilians "accept" insecurity Because the system was never built for them in the first place. ## 1. Brazil was founded as an extraction enterprise, not a nation-state Portugal didn't come to build Canada 2.0. It came to strip resources. - The economy was designed around *latifúndios* - Power was centralized in a wealthy minority - Social mobility wasn't a feature; it was a bug - Law enforcement existed to protect *property*, not *people* This created a *political DNA of hierarchy and extraction*. Canada's founding myth is settlers building communities. Brazil's founding myth is: "How fast can we exploit this and ship it away?" ## 2. Slavery lasted 3 centuries and ended with zero integration plan Brazil imported ~4.9 million enslaved Africans—the largest number in the Americas. Slavery ended in 1888 with literally: "Good luck, you're free now. No land, no education, no compensation." An underclass was created and structurally abandoned. Crime didn't appear out of nowhere; it was *engineered* by history. ## 3. The police were never designed to be community protectors The Polícia Militar originates from: - *colonial militias* - *slave-catching patrols* - *the military dictatorship (1964–1985)* Their institutional mission has always been: 👉 *Control "undesirable" populations, not serve them. Canada's police were built to maintain civic order. Brazil's police were built to enforce hierarchy. Modern reforms? Half-hearted, resisted, or sabotaged. ## 4. Corruption isn't an anomaly—it's the operating system Brazilian institutions have historically been structured around: - patronage - personalism - "jeitinho" as survival - informal power networks When your institutions work like this for centuries, you don't "fight corruption"—you *adapt* to it. ## 5. People don't protest because they know the state bites back Brazil had: - Two dictatorships (Estado Novo, Militar) - Censorship, torture, surveillance - A culture of "don't confront people with power" Political participation has historically been punished, not rewarded. So today, when people say: "Why don't Brazilians demand better?" It's like asking: "Why don't gazelles negotiate better terms with lions?" ## 6. Daily survival becomes routine Someone from a first-world country sees: - electric fences - gated condos - pepper spray - self-defense classes And they think: "This is insane." A Brazilian sees it and thinks: "Tuesday." Humans normalize what they must. If your great-grandparents lived like this, and your grandparents lived like this, and your parents lived like this… you don't see crisis—you see *the usual*. Trauma becomes tradition. ## 7. Because the alternative is despair Brazilians are not oblivious. They're not naïve. They're not "accepting" because they like it. They accept because: - fighting the system gets you crushed - institutional reform is glacier-slow - survival requires personal adaptation, not political revolution So people build their own safety bubbles: - private security - gated condos - CCTV - "good neighborhoods" - strong social networks The state is unreliable, so people replace it privately. The full picture is this: extraction colony → slavery → elite dominance → weak institutions → dictatorship → militarized police → corruption → social inequality → violence → private security culture.
O que faz algumas pessoas serem fáceis de conversar mesmo quando discordam de tudo?
Acredito que é não tentarem fazer da conversa um campo de batalha, forçando uma situação de certo x errado, com a pessoa tentando sair como "vencedora" do argumento. Manter um espaço aberto para todas as ideias, onde pode sim haver debate, com um questionando e desafiando a ideia do outro, mas criando espaço pra evolução do pensamento de todos. Curiosamente, porém, Sócrates foi esse cara: ia ao mercado da cidade e fazia perguntas a quem lhe desse ouvidos, procurando quem pudesse lhe fornecer respostas. Ele mesmo se declarava ignorante sobre os assuntos de suas perguntas, e por isso não fornecia resposta alguma. Só perguntava. Mas as perguntas dele necessariamente conduziam a um caminho em que as pessoas começavam a entrar em contradições e fazer confusões, constatando que elas não tinham a menor ideia do que estavam falando. E isso deixava as pessoas enfurecidas, haha. Ele discordava de tudo e era visto como uma pessoa extremamente difícil de conversar, mesmo fazendo o que eu disse. Então, acho que não é bem isso; "só sei que nada sei".
Qual personagem fictício te parece mais humano do que muita gente real?
O Chaves! Humano no sentido de ser menos artificial, de ser honesto e verdadeiro com os próprios sentimentos, de ser empático e estar disposto a ajudar mesmo sendo o cara mais miserável da vila. Ele é um ser humano sem máscara. Mostra as emoções sem maquiagem. Gosta das pessoas pelo vínculo, não pela utilidade. Não tenta parecer o que não é. Ele é só um menino pobre, carente, imperfeito, e mesmo assim mais nobre que muita gente de terno. Isso, isso, isso! Haha
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